Pode-se dizer o que bem se entende. Palvras emocionadas, sinceras, experientes, temerosas, premeditadas, inconsequentes.
Afinal de que valem? Nada mais são do que uma explosão verborrágica de quem pronuncia o discurso. Uma união de fatores que contróem um pensamento e é codificada em símbolos. Uma reação química entre as memórias passadas e a percepção de algo ou alguém sob um único ponto de vista. Reflete somente o momento presente e imediato. Opiniões, recriminações, elogios, o que for. Perderão completamente o valor assim que forem proferidos. Por mais concretos que pareçam, se esvaem à menor reação inesperada, ao mais ínfimo acontecimento, a uma simples reflexão. São volúveis e fortemente dependentes de fatos subsequentes. Confundem até mesmo o narrador—principalmente ele. E ao final de cada frase, dificilmente saberá se há algo de racional, de compreensível, de lógico naquilo tudo. A maior dificuldade consiste em separar o que há de real e dirigido ao próximo, daquilo que reverbera, somente, um conflito interior.
Para um interlocutor consciente dessa dinâmica, o impacto deve ser insignificante. Isso se considerar que o que ele ouve não passa de uma forma de organizar pensamentos, um ritual de catarse muito mais relacionado aos dilemas de quem se expressa do que àquele a quem se dirige o julgamento.
Para que, então, tamanha necessidade em escutar o outro? Um alívio para as dúvidas, um apelo à consideração, uma necessidade de aprovação, ou a busca de um reforço para uma certeza, que é tanto ou mais fugaz do que aquela com que o questionado irá rebater.
É um desgaste inútil. Se os pensamentos são mutáveis, frágeis e vulneráveis aos instantes seguintes, eis a resposta para a pergunta inicial: não valem de nada. Melhor contentar-se com as verdades que moram dentro de si, na avaliação pessoal, na intuição, no repertório intrínseco. Ao menos, serão coerentes com o perfil analisado, mais sinceras e pertinentes, sem transferências das ânsias e inseguranças alheias. É melhor começar desconfiando desse texto. Afinal, ele reflete somente, uma única perspectiva. Talvez, ao relê-lo ele perca, até a quem vos fala, completamente o sentido.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
O quinquagésimo resgate de Saramago
Tá, confesso. O texto não é novo, nem a minha mania de deliberar a respeito do Ensaio Sobre a Cegueira. Mas, já que o momento é de renovação, ele também é de seleção. E esse eu recomendo....Por isso, aí vai...
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo, não vêem” Parece lógico? Eu não canso de ler, uma, duas, dez vezes. Assim mesmo, sem ponto nem parágrafo, exatamente como Saramago resolveu resumir, traduzir, sintetizar—ou será codificar?—o emaranhado indissociável de ações, decisões e pensamentos humanos mais primitivos. Afinal, a forma fica desprovida de significado diante do conteúdo, em que não importa o quem ou quando, e sim o quê.
Consistirá a cegueira justamente em enxergar e selecionar o que os olhos querem ver?
A luz da razão talvez esteja exatamente em trilhar o caminho do bom senso quando os outros já perderam a sensibilidade visual. Visual no mais amplo sentido, o da capacidade de observar o todo e fazer a escolha mais sensata, muitas vezes a única capaz de solucionar um problema. A dificuldade está justamente em ir além, em prever o caminho e andar com cautela, sem pisar em falso. Talvez a cegueira tenha um lado positivo de apurar os demais sentidos e de tornar as coisas como elas verdadeiramente são. As vezes é preciso parar, pensar e sentir. Não basta enxergar para ver o que está diante do nariz. Como inteligentemente se concluiu, a obra é um convite ao leitor a recuperar a lucidez. A epígrafe resume: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. E ao olhar para o céu e deparar com um infinito desesperador de uma imensidão branca, talvez baste girar o pescoço 180 graus para baixo para topar com o mesmo mundo imóvel, imutável e escuro, como ele nunca deixou de ser.
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo, não vêem” Parece lógico? Eu não canso de ler, uma, duas, dez vezes. Assim mesmo, sem ponto nem parágrafo, exatamente como Saramago resolveu resumir, traduzir, sintetizar—ou será codificar?—o emaranhado indissociável de ações, decisões e pensamentos humanos mais primitivos. Afinal, a forma fica desprovida de significado diante do conteúdo, em que não importa o quem ou quando, e sim o quê.
Consistirá a cegueira justamente em enxergar e selecionar o que os olhos querem ver?
A luz da razão talvez esteja exatamente em trilhar o caminho do bom senso quando os outros já perderam a sensibilidade visual. Visual no mais amplo sentido, o da capacidade de observar o todo e fazer a escolha mais sensata, muitas vezes a única capaz de solucionar um problema. A dificuldade está justamente em ir além, em prever o caminho e andar com cautela, sem pisar em falso. Talvez a cegueira tenha um lado positivo de apurar os demais sentidos e de tornar as coisas como elas verdadeiramente são. As vezes é preciso parar, pensar e sentir. Não basta enxergar para ver o que está diante do nariz. Como inteligentemente se concluiu, a obra é um convite ao leitor a recuperar a lucidez. A epígrafe resume: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. E ao olhar para o céu e deparar com um infinito desesperador de uma imensidão branca, talvez baste girar o pescoço 180 graus para baixo para topar com o mesmo mundo imóvel, imutável e escuro, como ele nunca deixou de ser.
quinta-feira, 20 de março de 2008
A Ressurreição do Fora de Hora (mais do que na hora)
Já estava escrito nas estrelas que 2008 ia ser um ano inesquecível, cheio de conquistas e emoções . As cartas, a vidente, as evidências, o aprendizado, a esperança e o nosso coração diziam que não podia ser diferente!
O ano mal começou, e fomos soterrados por uma avalanche de mudanças e surpresas, daquelas que marcam a vida e fazem o coração tremer. Que venham! Não há momento melhor para comemorar e dividir. Fora de Hora está de volta! E nem se iluda pensando que eu vou escrever algo concreto ou construtivo. Continuo na linha "pensamentos flutuantes de uma jornalista sonhadora", cheia de ponderações sobre a natureza humana e os recônditos da alma. Minha veia de psicóloga está pulsando, mais saltitante do que nunca. Mas não há dúvida de que todos que falam a mesma língua entenderão as entrelinhas.
Venham me visitar com frequência e aguardem os novos textos.
Vibração positiva e energia de vida! Amo vocês!
Dri.
O ano mal começou, e fomos soterrados por uma avalanche de mudanças e surpresas, daquelas que marcam a vida e fazem o coração tremer. Que venham! Não há momento melhor para comemorar e dividir. Fora de Hora está de volta! E nem se iluda pensando que eu vou escrever algo concreto ou construtivo. Continuo na linha "pensamentos flutuantes de uma jornalista sonhadora", cheia de ponderações sobre a natureza humana e os recônditos da alma. Minha veia de psicóloga está pulsando, mais saltitante do que nunca. Mas não há dúvida de que todos que falam a mesma língua entenderão as entrelinhas.
Venham me visitar com frequência e aguardem os novos textos.
Vibração positiva e energia de vida! Amo vocês!
Dri.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Cura
Todas as feridas cicatrizam. Algumas demoram mais, outras menos. Depende de quão fundo foi o corte. No começo, não dá nem pra encostar. Um toque sutil é capaz de provocar uma dor insuportável. Se o ferimento for muito profundo, continuará incomodando por um bom tempo. Dia após dia. Mas, o que a gente raramente percebe, é que o sofrimento vai diminuindo, diminuindo, até tornar-se insignificante. É que estamos tão acostumados com a presença daquela feridinha, que nem nos damos conta quando ela deixa de perturbar.
Um dia acordamos, e assim, sem mais nem menos, notamos que ela simplesmente desapareceu.
Um dia acordamos, e assim, sem mais nem menos, notamos que ela simplesmente desapareceu.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Quando perder é ganhar
O saldo é sempre positivo. É só uma questão de ponto de vista. Sem fazer demagogia nem bancar a Polyana. Não é excesso de otimismo, nem uma tentativa de convencer a mim mesma, repetindo em voz alta. É só uma constatação bem humorada e esperançosa, ao notar que, muitas vezes, uma situação lamentável é capaz de gerar tanto conhecimento e força-- além de revelar boas surpresas--que a balança acaba fechando em superávit. Parece utópico, mas eu explico! Há algo de belo na separação? A própria palavra remete à divisão, perda, desconstrução. Nem sou maluca de dizer o contrário. Ela traz a carga da perda, da frustração, do abandono, da falta, da saudade, da dor, da culpa, da busca incessante pelo entendimento e da mágoa. Ufa, é baixo astral pra ninguém botar defeito. É aí que vem o contraponto: você ganha MUITO em troca:
Porque dá pra tirar de letra perder, depois de viver o medo e a expectativa de perder.
Porque pessoas vão e outras vêm, não há nada que possamos fazer para impedir. E a culpa não é de ninguém, essa é só mais uma lei imutável da natureza.
Porque a gente só é responsável pelas nossas escolhas. Não dá pra controlar as dos outros, por mais que eles errem grosseiramente e se arrependam no futuro.
Porque existe gosto pra tudo. Sem clichê. Pra tudo mesmo. Para o que há de mais escalafobético (essa palavra traduz bem) e inimaginável. E isso tem muito menos a ver com o elemento comparado do que com as inseguranças, crises e dúvidas de quem escolhe.
Porque o que grita no coração é o conjunto de lembranças e as sensações que elas imprimem. A personificação é apenas um símbolo, e as recordações permanecem para sempre na memória, independente dele, sem que haja poder no mundo capaz de levá-las embora.
Porque não há erros nem acertos, apenas tentativas. Quanto mais arriscadas, menor a chance de remorso.
Por que quando a dor acaba, vem o vazio, a sensação de que alguma coisa está faltando. E está mesmo. Mas o que Milan Kundera chama de A Insustentável Leveza do Ser, nada mais é do que um momento de transição, o último degrau antes do recomeço.
Porque às vezes é necessário demolir e abrir espaço para uma nova construção.
Porque as coisas que deixamos livres, às vezes voltam, às vezes não. O melhor de tudo é que a gente sobrevive do mesmo jeito, com ou sem.
Porque quem você menos espera aparece do seu lado, vibrando, xingando, e chorando, incondicionalmente.
Porque o nosso eu, na essência, é um alicerce muito sólido. Mesmo que derrubem tudo, dá pra usar a base para reerguer.
Porque seguramente alguma marca vai ficar, já que nenhuma história acontece em vão.
Porque não é preciso deixar de amar, perto ou longe. Mas caso isso seja realmente necessário, é muito menos complicado do que se imagina.
Porque não importa o que se grite por fora, o que vale é o que fica guardado, silenciosamente, no interior.
Que Nietzsche me perdoe, mas eu já me apoderei, há algum tempo, do eterno retorno. Não há quem não tenha me ouvido deliberar incansavelmente e insistentemente sobre essa teoria...Rss.....Ela também tem um lado positivo, por mais contraditório que possa parecer. “A eterna ampulheta da existência será sempre virada novamente. E tu com ela, poeirinha da poeira”. Viva a repetição. E com ela a chance de aprender, agregar e aplicar listas e listas como essa que eu acabei de mencionar.
Com tantos motivos e tantas lições, nem seria estrapolar na ousadia e na maluquice dizer que, olhando por um determinado ângulo, a perda é até um bom negócio.
Porque dá pra tirar de letra perder, depois de viver o medo e a expectativa de perder.
Porque pessoas vão e outras vêm, não há nada que possamos fazer para impedir. E a culpa não é de ninguém, essa é só mais uma lei imutável da natureza.
Porque a gente só é responsável pelas nossas escolhas. Não dá pra controlar as dos outros, por mais que eles errem grosseiramente e se arrependam no futuro.
Porque existe gosto pra tudo. Sem clichê. Pra tudo mesmo. Para o que há de mais escalafobético (essa palavra traduz bem) e inimaginável. E isso tem muito menos a ver com o elemento comparado do que com as inseguranças, crises e dúvidas de quem escolhe.
Porque o que grita no coração é o conjunto de lembranças e as sensações que elas imprimem. A personificação é apenas um símbolo, e as recordações permanecem para sempre na memória, independente dele, sem que haja poder no mundo capaz de levá-las embora.
Porque não há erros nem acertos, apenas tentativas. Quanto mais arriscadas, menor a chance de remorso.
Por que quando a dor acaba, vem o vazio, a sensação de que alguma coisa está faltando. E está mesmo. Mas o que Milan Kundera chama de A Insustentável Leveza do Ser, nada mais é do que um momento de transição, o último degrau antes do recomeço.
Porque às vezes é necessário demolir e abrir espaço para uma nova construção.
Porque as coisas que deixamos livres, às vezes voltam, às vezes não. O melhor de tudo é que a gente sobrevive do mesmo jeito, com ou sem.
Porque quem você menos espera aparece do seu lado, vibrando, xingando, e chorando, incondicionalmente.
Porque o nosso eu, na essência, é um alicerce muito sólido. Mesmo que derrubem tudo, dá pra usar a base para reerguer.
Porque seguramente alguma marca vai ficar, já que nenhuma história acontece em vão.
Porque não é preciso deixar de amar, perto ou longe. Mas caso isso seja realmente necessário, é muito menos complicado do que se imagina.
Porque não importa o que se grite por fora, o que vale é o que fica guardado, silenciosamente, no interior.
Que Nietzsche me perdoe, mas eu já me apoderei, há algum tempo, do eterno retorno. Não há quem não tenha me ouvido deliberar incansavelmente e insistentemente sobre essa teoria...Rss.....Ela também tem um lado positivo, por mais contraditório que possa parecer. “A eterna ampulheta da existência será sempre virada novamente. E tu com ela, poeirinha da poeira”. Viva a repetição. E com ela a chance de aprender, agregar e aplicar listas e listas como essa que eu acabei de mencionar.
Com tantos motivos e tantas lições, nem seria estrapolar na ousadia e na maluquice dizer que, olhando por um determinado ângulo, a perda é até um bom negócio.
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