Pode-se dizer o que bem se entende. Palvras emocionadas, sinceras, experientes, temerosas, premeditadas, inconsequentes.
Afinal de que valem? Nada mais são do que uma explosão verborrágica de quem pronuncia o discurso. Uma união de fatores que contróem um pensamento e é codificada em símbolos. Uma reação química entre as memórias passadas e a percepção de algo ou alguém sob um único ponto de vista. Reflete somente o momento presente e imediato. Opiniões, recriminações, elogios, o que for. Perderão completamente o valor assim que forem proferidos. Por mais concretos que pareçam, se esvaem à menor reação inesperada, ao mais ínfimo acontecimento, a uma simples reflexão. São volúveis e fortemente dependentes de fatos subsequentes. Confundem até mesmo o narrador—principalmente ele. E ao final de cada frase, dificilmente saberá se há algo de racional, de compreensível, de lógico naquilo tudo. A maior dificuldade consiste em separar o que há de real e dirigido ao próximo, daquilo que reverbera, somente, um conflito interior.
Para um interlocutor consciente dessa dinâmica, o impacto deve ser insignificante. Isso se considerar que o que ele ouve não passa de uma forma de organizar pensamentos, um ritual de catarse muito mais relacionado aos dilemas de quem se expressa do que àquele a quem se dirige o julgamento.
Para que, então, tamanha necessidade em escutar o outro? Um alívio para as dúvidas, um apelo à consideração, uma necessidade de aprovação, ou a busca de um reforço para uma certeza, que é tanto ou mais fugaz do que aquela com que o questionado irá rebater.
É um desgaste inútil. Se os pensamentos são mutáveis, frágeis e vulneráveis aos instantes seguintes, eis a resposta para a pergunta inicial: não valem de nada. Melhor contentar-se com as verdades que moram dentro de si, na avaliação pessoal, na intuição, no repertório intrínseco. Ao menos, serão coerentes com o perfil analisado, mais sinceras e pertinentes, sem transferências das ânsias e inseguranças alheias. É melhor começar desconfiando desse texto. Afinal, ele reflete somente, uma única perspectiva. Talvez, ao relê-lo ele perca, até a quem vos fala, completamente o sentido.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
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