Todas as feridas cicatrizam. Algumas demoram mais, outras menos. Depende de quão fundo foi o corte. No começo, não dá nem pra encostar. Um toque sutil é capaz de provocar uma dor insuportável. Se o ferimento for muito profundo, continuará incomodando por um bom tempo. Dia após dia. Mas, o que a gente raramente percebe, é que o sofrimento vai diminuindo, diminuindo, até tornar-se insignificante. É que estamos tão acostumados com a presença daquela feridinha, que nem nos damos conta quando ela deixa de perturbar.
Um dia acordamos, e assim, sem mais nem menos, notamos que ela simplesmente desapareceu.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
terça-feira, 12 de junho de 2007
Quando perder é ganhar
O saldo é sempre positivo. É só uma questão de ponto de vista. Sem fazer demagogia nem bancar a Polyana. Não é excesso de otimismo, nem uma tentativa de convencer a mim mesma, repetindo em voz alta. É só uma constatação bem humorada e esperançosa, ao notar que, muitas vezes, uma situação lamentável é capaz de gerar tanto conhecimento e força-- além de revelar boas surpresas--que a balança acaba fechando em superávit. Parece utópico, mas eu explico! Há algo de belo na separação? A própria palavra remete à divisão, perda, desconstrução. Nem sou maluca de dizer o contrário. Ela traz a carga da perda, da frustração, do abandono, da falta, da saudade, da dor, da culpa, da busca incessante pelo entendimento e da mágoa. Ufa, é baixo astral pra ninguém botar defeito. É aí que vem o contraponto: você ganha MUITO em troca:
Porque dá pra tirar de letra perder, depois de viver o medo e a expectativa de perder.
Porque pessoas vão e outras vêm, não há nada que possamos fazer para impedir. E a culpa não é de ninguém, essa é só mais uma lei imutável da natureza.
Porque a gente só é responsável pelas nossas escolhas. Não dá pra controlar as dos outros, por mais que eles errem grosseiramente e se arrependam no futuro.
Porque existe gosto pra tudo. Sem clichê. Pra tudo mesmo. Para o que há de mais escalafobético (essa palavra traduz bem) e inimaginável. E isso tem muito menos a ver com o elemento comparado do que com as inseguranças, crises e dúvidas de quem escolhe.
Porque o que grita no coração é o conjunto de lembranças e as sensações que elas imprimem. A personificação é apenas um símbolo, e as recordações permanecem para sempre na memória, independente dele, sem que haja poder no mundo capaz de levá-las embora.
Porque não há erros nem acertos, apenas tentativas. Quanto mais arriscadas, menor a chance de remorso.
Por que quando a dor acaba, vem o vazio, a sensação de que alguma coisa está faltando. E está mesmo. Mas o que Milan Kundera chama de A Insustentável Leveza do Ser, nada mais é do que um momento de transição, o último degrau antes do recomeço.
Porque às vezes é necessário demolir e abrir espaço para uma nova construção.
Porque as coisas que deixamos livres, às vezes voltam, às vezes não. O melhor de tudo é que a gente sobrevive do mesmo jeito, com ou sem.
Porque quem você menos espera aparece do seu lado, vibrando, xingando, e chorando, incondicionalmente.
Porque o nosso eu, na essência, é um alicerce muito sólido. Mesmo que derrubem tudo, dá pra usar a base para reerguer.
Porque seguramente alguma marca vai ficar, já que nenhuma história acontece em vão.
Porque não é preciso deixar de amar, perto ou longe. Mas caso isso seja realmente necessário, é muito menos complicado do que se imagina.
Porque não importa o que se grite por fora, o que vale é o que fica guardado, silenciosamente, no interior.
Que Nietzsche me perdoe, mas eu já me apoderei, há algum tempo, do eterno retorno. Não há quem não tenha me ouvido deliberar incansavelmente e insistentemente sobre essa teoria...Rss.....Ela também tem um lado positivo, por mais contraditório que possa parecer. “A eterna ampulheta da existência será sempre virada novamente. E tu com ela, poeirinha da poeira”. Viva a repetição. E com ela a chance de aprender, agregar e aplicar listas e listas como essa que eu acabei de mencionar.
Com tantos motivos e tantas lições, nem seria estrapolar na ousadia e na maluquice dizer que, olhando por um determinado ângulo, a perda é até um bom negócio.
Porque dá pra tirar de letra perder, depois de viver o medo e a expectativa de perder.
Porque pessoas vão e outras vêm, não há nada que possamos fazer para impedir. E a culpa não é de ninguém, essa é só mais uma lei imutável da natureza.
Porque a gente só é responsável pelas nossas escolhas. Não dá pra controlar as dos outros, por mais que eles errem grosseiramente e se arrependam no futuro.
Porque existe gosto pra tudo. Sem clichê. Pra tudo mesmo. Para o que há de mais escalafobético (essa palavra traduz bem) e inimaginável. E isso tem muito menos a ver com o elemento comparado do que com as inseguranças, crises e dúvidas de quem escolhe.
Porque o que grita no coração é o conjunto de lembranças e as sensações que elas imprimem. A personificação é apenas um símbolo, e as recordações permanecem para sempre na memória, independente dele, sem que haja poder no mundo capaz de levá-las embora.
Porque não há erros nem acertos, apenas tentativas. Quanto mais arriscadas, menor a chance de remorso.
Por que quando a dor acaba, vem o vazio, a sensação de que alguma coisa está faltando. E está mesmo. Mas o que Milan Kundera chama de A Insustentável Leveza do Ser, nada mais é do que um momento de transição, o último degrau antes do recomeço.
Porque às vezes é necessário demolir e abrir espaço para uma nova construção.
Porque as coisas que deixamos livres, às vezes voltam, às vezes não. O melhor de tudo é que a gente sobrevive do mesmo jeito, com ou sem.
Porque quem você menos espera aparece do seu lado, vibrando, xingando, e chorando, incondicionalmente.
Porque o nosso eu, na essência, é um alicerce muito sólido. Mesmo que derrubem tudo, dá pra usar a base para reerguer.
Porque seguramente alguma marca vai ficar, já que nenhuma história acontece em vão.
Porque não é preciso deixar de amar, perto ou longe. Mas caso isso seja realmente necessário, é muito menos complicado do que se imagina.
Porque não importa o que se grite por fora, o que vale é o que fica guardado, silenciosamente, no interior.
Que Nietzsche me perdoe, mas eu já me apoderei, há algum tempo, do eterno retorno. Não há quem não tenha me ouvido deliberar incansavelmente e insistentemente sobre essa teoria...Rss.....Ela também tem um lado positivo, por mais contraditório que possa parecer. “A eterna ampulheta da existência será sempre virada novamente. E tu com ela, poeirinha da poeira”. Viva a repetição. E com ela a chance de aprender, agregar e aplicar listas e listas como essa que eu acabei de mencionar.
Com tantos motivos e tantas lições, nem seria estrapolar na ousadia e na maluquice dizer que, olhando por um determinado ângulo, a perda é até um bom negócio.
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